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Fibromialgia

Como é diagnosticada a fibromialgia? Avaliação, exames e consulta médica.

Perceba como é feita a avaliação, porque não existe um teste único e quando pode ser necessário procurar um especialista.

José AlmeidaAtualizado 6 min de leitura
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Como é diagnosticada a fibromialgia? Avaliação, exames e consulta médica.

Resposta rápida

O diagnóstico da fibromialgia é feito através de uma avaliação clínica. Não existe uma análise ao sangue, radiografia, ressonância magnética ou outro exame que, isoladamente, confirme a doença.

O médico avalia a localização e a duração da dor, a fadiga, a qualidade do sono, as dificuldades de concentração e a forma como estes sintomas afetam a vida diária. Algumas análises ou exames podem ser pedidos para investigar outras causas possíveis ou problemas de saúde que possam coexistir.

Porque pode ser difícil diagnosticar a fibromialgia?

A fibromialgia pode manifestar-se de formas diferentes de pessoa para pessoa. Além da dor generalizada, podem surgir cansaço persistente, sono pouco reparador, rigidez, alterações de memória ou concentração, dores de cabeça e maior sensibilidade ao toque.

Estes sintomas também podem aparecer noutras condições de saúde. Por esse motivo, o diagnóstico raramente depende de uma única consulta ou de uma única informação.

Se começou recentemente a sentir alterações que ainda não consegue explicar, pode ser útil conhecer os primeiros sintomas de fibromialgia e registar quando começaram e como têm evoluído.

Existe algum exame específico para diagnosticar a fibromialgia?

Não existe atualmente um exame laboratorial ou de imagem específico para confirmar a fibromialgia.

As análises ao sangue, radiografias, ecografias ou ressonâncias magnéticas não mostram uma alteração exclusiva desta condição. Por isso, ter resultados considerados normais não significa que os sintomas não sejam reais.

Dependendo dos sintomas, da idade, do historial clínico e do resultado do exame físico, o médico pode pedir alguns exames para investigar outras explicações. O objetivo não é encontrar a fibromialgia numa análise, mas perceber se existe outra condição que justifique parte ou a totalidade dos sintomas.

Como é feita a avaliação médica?

A avaliação começa normalmente por uma conversa detalhada sobre os sintomas e pela realização de um exame físico.

O médico pode procurar compreender:

  • em que zonas do corpo sente dor;
  • há quanto tempo os sintomas estão presentes;
  • se a dor é constante ou varia ao longo do tempo;
  • como dorme e se acorda cansado;
  • se sente fadiga durante o dia;
  • se existem dificuldades de memória ou concentração;
  • de que forma os sintomas limitam o trabalho e as atividades diárias;
  • que outros problemas de saúde ou medicamentos devem ser considerados.

É importante descrever todos os sintomas, mesmo aqueles que parecem não estar diretamente relacionados com a dor.

Que critérios podem apoiar o diagnóstico?

Os profissionais de saúde podem utilizar critérios clínicos para organizar a avaliação. Entre os mais conhecidos encontram-se os critérios revistos em 2016, baseados no Índice de Dor Generalizada e numa escala de gravidade dos sintomas.

De uma forma simplificada, são considerados:

  • o número de regiões do corpo onde existe dor;
  • a presença de dor generalizada em diferentes zonas do corpo;
  • a intensidade da fadiga;
  • a sensação de acordar sem descanso;
  • as dificuldades cognitivas, como problemas de concentração;
  • a presença dos sintomas durante, pelo menos, três meses.

Estes critérios apoiam a decisão clínica, mas não substituem a consulta. Um questionário preenchido sem acompanhamento médico não permite confirmar o diagnóstico.

Ainda são avaliados os chamados pontos dolorosos?

Durante muitos anos, o diagnóstico esteve associado à avaliação de determinados pontos sensíveis à pressão. Atualmente, a presença de um número específico de pontos dolorosos já não é considerada, por si só, indispensável para o diagnóstico.

O médico pode avaliar a sensibilidade e realizar um exame físico, mas a análise atual é mais abrangente. Considera a distribuição da dor, a duração dos sintomas, a fadiga, o sono e as alterações cognitivas.

Que problemas de saúde podem ter sintomas semelhantes?

A dor generalizada e a fadiga podem ter diferentes origens. Conforme o caso, o médico poderá considerar alterações da tiroide, doenças reumáticas inflamatórias, anemias, perturbações do sono, efeitos de medicamentos ou outras condições.

A fibromialgia também pode coexistir com outros problemas de saúde. A identificação de outra doença não exclui automaticamente a possibilidade de existir fibromialgia.

Para uma explicação geral da condição e dos seus sintomas mais frequentes, consulte também: Fibromialgia: o que é, sintomas e como é feito o diagnóstico.

Qual é o médico que diagnostica a fibromialgia?

O primeiro passo pode ser marcar uma consulta com o médico de família. Este profissional pode fazer a avaliação inicial, pedir os exames considerados necessários e decidir se existe indicação para encaminhamento.

Quando há dúvidas sobre o diagnóstico ou suspeita de uma doença reumática, pode ser recomendada uma consulta de reumatologia. Dependendo dos sintomas, também podem participar outros profissionais ou especialidades.

Nem todas as pessoas precisam de fazer exatamente o mesmo percurso. A decisão deve ser adaptada aos sintomas e ao historial clínico de cada pessoa.

Como se pode preparar para a consulta?

Uma descrição organizada dos sintomas pode ajudar o médico a compreender melhor a situação. Antes da consulta, pode anotar:

  • quando começaram os sintomas;
  • as zonas onde sente dor;
  • o que agrava ou alivia o desconforto;
  • como tem dormido;
  • se sente fadiga ou dificuldades de concentração;
  • os medicamentos e suplementos que utiliza;
  • os exames ou tratamentos realizados anteriormente.

Se a principal dificuldade ainda é perceber a origem da dor, leia também: Porque tenho dores em todo o corpo?

Quando deve procurar avaliação médica?

Deve procurar aconselhamento médico quando a dor se prolonga, aparece em várias zonas do corpo ou é acompanhada por fadiga persistente, alterações do sono ou dificuldades nas atividades habituais.

Febre, perda de peso sem explicação, articulações inchadas, perda progressiva de força ou sintomas neurológicos novos justificam uma avaliação médica própria e não devem ser atribuídos automaticamente à fibromialgia.

Conclusão

O diagnóstico da fibromialgia não depende de um teste único. Resulta da análise conjunta dos sintomas, da sua distribuição e duração, do exame físico e, quando necessário, da investigação de outras condições.

Receber um diagnóstico pode exigir tempo, mas uma avaliação clínica estruturada ajuda a compreender melhor os sintomas e a definir os passos seguintes. Evite tentar confirmar a doença através de questionários ou informações encontradas na internet sem acompanhamento profissional.

Perguntas frequentes

Uma análise ao sangue consegue confirmar a fibromialgia?

Não. Atualmente, não existe uma análise ao sangue específica que confirme a fibromialgia. As análises podem ser utilizadas para investigar outras causas possíveis dos sintomas.

É possível ter fibromialgia com exames normais?

Sim. Os exames laboratoriais e de imagem podem não apresentar alterações específicas, porque o diagnóstico da fibromialgia é essencialmente clínico.

Quanto tempo é necessário ter sintomas?

Os critérios clínicos habitualmente utilizados consideram sintomas presentes, de forma semelhante, durante pelo menos três meses. A duração, por si só, não é suficiente para estabelecer o diagnóstico.

É obrigatório consultar um reumatologista?

Nem sempre. O médico de família pode iniciar a avaliação e decidir se é necessário encaminhamento para reumatologia ou para outra especialidade.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação, diagnóstico ou acompanhamento realizado por um profissional de saúde.

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